Espírito Santo, Festas do

Espírito Santo, Festas do – Celebrações da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que tiveram seu início na Idade Média, segundo tudo indica por inspiração da Rainha Santa Isabel. Celebra-se no quinquagésimo dia depois da Páscoa, já quase no início do Verão, e com rituais que costumam ser associados à propiciação da Natureza e, em geral, aos cultos vegetalistas da Primavera: bênção do pão, cortejo das fogaças, imolação do boi e por fim, com a carne deste, o bodo aos pobres, refeição colectiva que é oferecida pelo juiz ou imperador, ou festeiros. É costume a coroação de um imperador, geralmente um menino.

A relação entre estas festividades e as primitivas celebrações vegetalistas da primavera é uma explicação que procede das teorias de Mannhardt e Frazer, hoje muito questionadas por virtude dos exageros interpretativos a que conduziram. Que os rituais das festas do Paracleto estão intimamente ligados à vida e sobrevivência do povo rural, não oferece dúvida. Mas que possam ter uma relação de filiação aos antigos cultos vegetalistas e propiciatórios, está inteiramente por provar.

Outrora, as festividades do Espírito Santo atingiram enorme brilho e popularidade em todo o país, sendo particularmente conhecidas as celebrações da Beira Baixa ao longo do curso do rio Zêzere (no Alcaide, Fundão, a festa foi realizada pela última vez no ano de 1943). Hoje em dia, conservam-se no continente em povoações esparsas (i. a., Reguengo do Fetal, Batalha, Penedo, Sintra, aqui com acompanhamento da gaita-de-foles estremenha), e sobretudo no arquipélago dos Açores, onde se mantêm com enorme vitalidade e com grande variedade de rituais e de momentos musicais a cargo dos foliões, membros integrantes das chamadas folias do Espírito Santo, que actuam nas mais variadas circunstâncias das festividades, entre elas o cortejo em que o mordomo da festa vai à porta dos criadores agradecer-lhes a sua contribuição, em gado, para a festa. Os foliões, acompanhados de instrumentos de corda, cantam de improviso esses agradecimentos.

Mais: Tradições Musicais da Estremadura, Tradisom 2000, p. 241 a 248, de José Alberto Sardinha.

Discografia: Portugal – Raízes Musicais, recolhas de José Alberto Sardinha, BMG/Jornal de Notícias 1997, CD 6, faixa 12 (Ilha de S. Miguel).

N. B. – OS TEXTOS DESTA ENCICLOPÉDIA DAS TRADIÇÕES POPULARES ESTÃO SUJEITOS A DIREITOS DE AUTOR, PELO QUE A SUA REPRODUÇÃO, AINDA QUE PARCIAL, DEVERÁ INDICAR O NOME DO SEU AUTOR, JOSÉ ALBERTO SARDINHA.