Barrete

Barrete – Barrete preto: peça de vestuário outrora corrente em todo o país para cobrir a cabeça dos homens. Em Janeiro de 2021, durante a vaga de frio deste Inverno, vimos no centro histórico de Torres Vedras um homem de idade envergando samarra e barrete preto.

Barrete verde e encarnado: tornou-se um emblema do campino ribatejano, mas existe noutras regiões e em certas épocas do ano. Já têm surgido escritos que atribuem a criação deste barrete ao nacionalismo salazarista, mas erradamente o fazem porquanto existem provas documentais que o desmentem, de que deverá destacar-se as seguintes: uma litografia da colecção Palhares (1830) que reproduz um campino com barrete verde e encarnado; aguarela de Alfredo Morais, que acima se reproduz, anterior ao Estado Novo; Guilherme Felgueiras, em estudo sobre os saloios, informa que era costume o saloio usar barrete verde com orla e borla de carapinha encarnada; o Museu Anastácio Gonçalves tem em exposição um óleo de Silva Porto, da segunda metade do séc. XIX, denominado Eira de Massamá, em que se vê um jovem com barrete verde e encarnado; na colecção da Fundação Gulbenkian existe um quadro de Diogo de Macedo, datado de 1917, representando uma cena popular de venda de aldeia em que se vê um campino de vara na mão, com um barrete verde de banda e borla encarnadas; no Museu Etnográfico de Vila Franca de Xira há uma aguarela de António Soares, datada de 1894, com um campino que tem barrete verde; no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, existem dois quadros a óleo de Domingos Rebelo, intitulados “Vendedor de fruta” e “Camponeses de S. Miguel”, ambos de 1918, e qualquer deles figurando um velhote com um barrete verde e barra encarnada; por fim: pelo menos seis quadros a óleo de Silva Porto (que, como se sabe, morreu ainda no séc. XIX) figurando campinos a cavalo com barrete verde e faixa encarnada, bem como, do mesmo autor, outro quadro de um pastor da região do Barroso com barrete das mesmas cores.