Valsa

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Valsa – Segundo a maioria dos autores, a origem da valsa deverá encontrar-se no Landler, dança rústica alemã, havendo porém quem a faça derivar da velha volta provençal, esta por sua vez de ascendência italiana. Tomás Borba e Lopes Graça, no seu Dicionário, assinalam que a valsa, ou as danças que se lhe assemelham pelo ritmo ternário, já era conhecida no séc. XV.

Seja, porém, como for, foi o séc. XVIII que lhe deu o nome e o XIX que a consagrou como grande dança de salão por toda a Europa, incluindo Portugal. O povo português depressa a captou, assimilou e começou a bailar. Para tanto contribuíram o reportório das bandas filarmónicas e das tunas, em geral da autoria dos seus regentes, que bebiam a inspiração dos ritmos europeus da moda e elaboravam as suas composições musicais em consonância (o mesmo sucedeu com a polca, a mazurca e a schottishe, em português chotiçavide).

A valsa conservou-se até hoje na nossa tradição popular, na maior parte dos casos mantendo o seu nome acrescentado com alguma especificidade coreográfica, como valsa de dois passos, valsa rasteira, valsa rodada ou valsa de roda, valsa pulada, por vezes puladinha, valsa mandada, valsa batida, valsa escofinhada, etc.; outras vezes com outras designações, como valsa do balancé (de valse balancée, la vague), valsa do espanhol, valsa antiga, valsa do leilão, valsa dos namorados, valsa Julieta, ou moda valseada; outras vezes simplesmente conhecida por valsa (como é o caso da “Valsa revalsa” colhida na Póvoa de Lanhoso e transcrita em ¾ por César das Neves no volume II do seu Cancioneiro de Músicas Populares, 1895).

Há também inumeráveis valsas da nossa tradição popular que perderam essa designação em favor das letras (do inccipit, ou do refrão) das cantigas que o povo lhes foi introduzindo, como o conhecido e muito divulgado “Era o vinho”, ou “A chita da minha blusa”, ou “Já lá vai o meu bom tempo”. Depois de escutada e adaptada pelo povo, a valsa foi sendo transmitida para as gerações seguintes, assim se integrando na cadeia de transmissão oral e passando a fazer parte da música tradicional do nosso povo. Encontra-se expandida por todo o país.

Discografia: Portugal – Raízes Musicais, de José Alberto Sardinha, BMG/Jornal de Notícias 1997, CD 3, Faixa 24 (Tondela), CD 4, Faixas 8 (Proença-a-Nova), 23 (Oleiros); Tunas do Marão, de José Alberto Sardinha, Tradisom 2005, CD 1, Faixas 3 e 9 (Carvalhais, Santa Marta de Penaguião), CD 2, Faixas 1, 7 e 9 (Ansiães, Amarante), CD 3, Faixa 2 (Gestaçô, Baião), 7 e 9 (Vinhós, Régua), 12 e 16 (Bisalhães, Vila Real), CD 4, Faixas 3 (Soutelo, Santa Marta de Penaguião) e 20 (Gontães, Vila Real).

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