Tuna

Tuna de Bisalhães, princípios anos 50

Tuna – Conjunto instrumental popular de cordas. Os seus instrumentos musicais mais frequentes são: violinos, bandolins, bandolas, violões, incluindo também, geralmente, uma flauta lateral ou, mais raramente, um clarinete, por vezes também um violoncelo. À semelhança das tunas estudantis e comerciais das vilas e cidades de todo o país, que proliferaram em Portugal em finais do séc. XIX, princípios do XX, também as comunidades rurais abraçaram, na mesma época, esta fórmula instrumental, habitualmente com o incentivo e sob a direcção dos sacerdotes locais, professores primários, ou regentes das bandas filarmónicas e militares.

As tunas actuavam e ainda actuam em arruadas, em cortejos civis e religiosos, designadamente nas procissões, nos teatros populares, nas janeiras e nos Reis, nos leilões e peditórios para as festas, nos cortejos entrudescos, nas rondas dos rapazes e nas serenatas às moças, nas dramatizações das serradas da velha, no compasso pascal, no arraial das festas locais e, em geral, nos bailes populares. O reportório das tunas rurais coincidia sensivelmente com o daquelas bandas: marchas, valsa, mazurcas, polcas e outros ritmos centro-europeus oitocentistas, por vezes da autoria ou com arranjos dos referidos dirigentes/maestros. Tratava-se, pois, de música escrita, aprendida e tocada pela partitura.

Sem embargo de terem aprendido música, ministrada por esses dirigentes, os rurais, depois de memorizarem os temas musicais que lhes eram ensinados, passaram a tocá-los e a transmiti-los de ouvido. Assim, constituíram um poderoso factor de disseminação dos referidos ritmos europeus oitocentistas no gosto popular e na cadeia de transmissão oral. A sua influência sobre a música de tradição oral traduziu-se também a nível instrumental na popularização da rabeca ou violino e do bandolim.

O entusiasmo pelas tunas revestiu proporções de furor e paixão colectiva: quase todas as aldeias tinham a sua tuna, às vezes duas ou três, fruto das habituais cisões, desentendimentos e rivalidades. A partir da segunda metade do séc. XX, as tunas rurais entraram em declínio, tendo a maior parte delas desaparecido. No séc. XXI ainda permanecem algumas em actividade, nalgumas manchas esparsas do país, como ficou demonstrado pelo levantamento realizado na região maronesa por José Alberto Sardinha, consagrado no livro Tunas do Marão, editado em 2005, com quatro discos compactos que seleccionam os registos sonoros obtidos, abrangendo os aros concelhios de Santa Marta de Penaguião, Amarante, Vila Real, Baião, Régua e Mondim de Basto. Fenómeno inverso se passou com as tunas estudantis: depois de terem caído em desuso, conheceram um ressurgimento nos anos 1990, a par com o renascer das tradições académicas.

Mais: Tunas do Marão, de José Alberto Sardinha, Tradisom, 2005. Discografia: os quatro CDs que acompanham este livro, com 90 registos musicais colhidos nos concelhos de Amarante, Vila Real, Régua, Santa Marta de Penaguião, Baião, Mondim de Basto.

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