Senhor fora

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Senhor fora – Expressão utilizada pelo povo para referir as circunstâncias em que o Corpo de Deus (a santa custódia ou a hóstia consagrada) se encontra no exterior do sacrário, mormente no sagrado viático, visita do sacerdote e do povo a casa de um enfermo para lhe ministrar a extrema-unção, altura em que o povo cantava piedosamente, pelas ruas acompanhando o sacerdote, o Bendito, também conhecido justamente por “Senhor fora”.

Em Quarta-Feira de Cinzas era costume (aldeias do concelho do Fundão) o sacerdote ir a casa dos enfermos ministrar-lhes a comunhão, visto que estes não podiam ir recebê-la na igreja. O padre seguia sob a umbela e o povo vinha atrás rezando o terço. Chegando à casa do doente, o padre entrava com o sacristão e o povo ficava no exterior cantando o Bendito, até o padre sair. Depois seguiam para casa de outro enfermo rezando o terço e assim por diante até fazerem visita a todos os doentes da terra. Na cidade do Fundão ainda hoje se dá a comunhão nos lares de idosos em Quarta-Feira de Cinzas.

A Santa Custódia também sai em procissões solenes, em que segue nas mãos do bispo ou do sacerdote, sob o pálio, como é o caso da procissão do Corpus Christi. Em 1895, no volume II do Cancioneiro de Músicas Populares, César das Neves transcreve um trecho musical a duas vozes intitulado “Ao viático”, colhido no Minho, que o autor informa ser um cântico antiquíssimo e ser cantado pelo povo à porta dos enfermos a quem vai o viático.

Discografia: Faixa 6 (Torrinhas, Batalha) do CD 3 que acompanha o livro Tradições Musicais da Estremadura, de José Alberto Sardinha.

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