Saloio

Digitalização 12

Saloio – Música e dança popular próxima do fandango (vide), praticada em algumas regiões do país, como as Beiras, Litoral, Alta e Baixa. Em Silvares, concelho do Fundão, a música do saloio é designada por fandango, confusão que não acontece no resto do concelho. Na Aldeia de Joanes, onde antigamente se bailava o fandango, não se conhece a denominação de saloio. Em Enxames, mesmo concelho do Fundão (recolha fundanense de José Alberto Sardinha), o saloio era bailado espontaneamente nos anos 1950 da seguinte forma: roda grande, com os pares soltos, todos de braços no ar, eles avançando e elas recuando. A dado passo, a roda pára e todos sapateiam, cada par em frente um do outro.

Porém, na zona de Alpedrinha, mesmo concelho do Fundão, há uma música própria para o Fandango e outra para o Saloio, sendo esta a mesma que foi registada em Idanha-a-Nova pelo mesmo investigador como servindo para o epitalâmio aí designado por Parabéns aos Noivos (V. Idanha-a-Nova, Toques e Cantares da Vila). Em Mata da Rainha, no extremo leste do concelho do Fundão, a música para o baile do Saloio também é a mesma de Idanha, possuindo mesmo coreografia própria, diferente da do fandango, pois era bailado em duas colunas, uma de moças, outra de rapazes, frente a frente, colunas essas que se deslocavam para a direita e para a esquerda consoante as voltas que os bailadores executavam com os braços no ar, mas sempre sem abandonar a sua coluna. Em virtude de nesta coreografia os bailadores não saírem praticamente do mesmo lugar virando-se apenas para um e outro lado, em Vale de Prazeres, mesmo concelho do Fundão, lhe chamam “moda serrada”.

A popularidade do Saloio na região da Idanha era tal que os tocadores afirmam que “quem for para a zona da Idanha e não souber tocar o saloio, não tem valor nenhum”. Em toda esta região da Beira Baixa, o Saloio é cantado, destacando-se a quadra mais frequente: “Ó saloia dá-me um beijo / Qu’eu te darei um vintém / Os beijos duma saloia / São poucos mas sabem bem.” E ainda esta: “Ó saloia dá cá isso / Que levas na arregaçada / Levo beijinhos de moça / Se caio, não levo nada”.

O Saloio, tal como o Fandango, pertence à categoria dos bailes soltos, i. e., “desagarrados” (os pares nunca se agarram) e musicalmente é também de base ternária. Admite-se como provável que tenha começado por ser um fandango, que ganhou a designação de Saloio por virtude da introdução da letra acima reproduzida, que se refere a uma saloia, que depressa passou a “saloio”. Tal como o fandango, provavelmente descendente da seguidilha.

Discografia: Portugal – Raízes Musicais, BMG/Jornal de Notícias 1997, recolhas de José Alberto Sardinha, CD 3, faixa 20 (Miranda do Corvo).

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