Polca

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Polca – No seu característico compasso binário, a polca terá conhecido nascimento na Boémia no princípio do séc. XIX e apareceu em Paris em 1840, após o que se tornou moda e loucura nos salões e ganhou a Europa. Fez furor entre todas as camadas sociais, de tal forma que destronou a contradança (vide), que era até então a dança preferida. A Portugal chegou através dos salões da alta sociedade e também do teatro, onde era dançada nos intervalos das peças dramáticas, para variedade do espectáculo e entretenimento do público. Terá sido dançada pela primeira vez em Lisboa em 1844 num salão privado e em 1845 no Teatro S. Carlos.

Após ter sido acolhida pela alta sociedade, a polca popularizou-se através das bandas filarmónicas, das tunas e congéneres, e passou a fazer parte dos bailes do povo. No volume II do Cancioneiro de Músicas Populares, César das Neves, vem transcrita (1895), com compasso binário, uma polca, com este nome recolhida no Alentejo, cuja coreografia é assim descrita: “Dispõem-se os pares de mãos dadas formando roda. Enquanto se canta os dois primeiros versos repetidos da cantiga, caminham os pares uns atrás dos outros, em roda para a direita, indo a dama do lado de dentro. Depois, a roda vira para a esquerda e as damas, sempre do lado de dentro, cantam os últimos dois versos, também bisados. No estribilho, ou requebro, os homens voltam-se para o seu par com as costas para fora e as damas para dentro da roda e fazem balancé durante os dois primeiros versos, bisados, dando estalinhos com os dedos. Durante os últimos dois versos dança-se em polca ou em grand-chaine.”

A presença da polca na nossa tradição popular é visível ainda hoje, quer nos exemplares que conservam o nome de polca, quer nos esquemas músico-coreográficos que lhe são próprios, mesmo que a denominação adoptada seja outra (bailarico – vide), ou decorrente de pormenores coreográficos reveladores da polca (Bico e tacão, ou Salto e Bicovide), ou quando a denominação resulta da letra de cantiga que lhe tenha sido introduzida (seja através do inccipit, seja através do refrão).

Mais: Tradições Musicais da Estremadura, de José Alberto Sardinha, p. 383-384. Discografia: Portugal – Raízes Musicais, de José Alberto Sardinha, BMG/Jornal de Notícias 1997, CD 5, faixas 2 e 10 (Montargil, Ponte de Sor); Tunas do Marão, de José Alberto Sardinha, CD 3, Faixa 1 (Gestaçô, Baião), CD 4, Faixa 11 (Viariz, Baião).

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