Pão por Deus

Casais da Azambuja, 1:11:98

Pão por Deus – Tradição popular estremenha, açoreana e da Beira Baixa (outrora também de outras províncias, como o Alentejo) própria do dia de Todos os Santos, em que as crianças percorrem as casas das aldeias, vilas e cidades pedindo o “pão por Deus”, e a que os habitantes correspondem ofertando-lhes frutas, bolinhos, rebuçados, nozes ou broas (pães de farinha-triga, com mel, erva-doce, pinhões, fermento e nozes, confeccionados nesta época por toda a Estremadura). Nalguns casos entoam um recitativo, ou até um esboço melódico, dizendo “Bolinhos, bolinhos, por alma dos seus defuntinhos!”, ou “Bolinhos, bolinhós, por alma dos seus avós!”, ou ainda “Ó tia, dá bolinhos, em louvor dos seus santinhos!”

Continua a praticar-se em toda a Estremadura, aliás com grande entusiasmo por parte da miudagem (ex.: Vimeiro, Lourinhã, 2015). Nalgumas regiões, v. g. Beira Baixa, chama-se a esta tradição “pedir o santoro” (obviamente corruptela de sanctorum, genitivo do plural de sanctus, sancti, significando, pois, “dos santos”, alusão ao Dia de Todos os Santos). Aí, na Beira Baixa, a pedida não era feita pelas crianças: eram as pessoas pobres, novas ou velhas, que pediam aos ricos um “santorinho”, primeiramente um pequeno pão de milho, ou de mistura triga-milha, por último dinheiro.

Mais: Tradições Musicais da Estremadura, de José Alberto Sardinha, p. 143 a 146. Discografia: faixas 4 (Cidade de Torres Vedras) e 5 (Soutos da Caranguejeira, Leiria) do CD 2 que acompanha este livro.

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