Ocarina

Grupo ocarinista de mafra

Ocarina – A ocarina é um instrumento de sopro, feito de barro cozido, formando uma concavidade fechada para onde é soprado o ar que lá vibra dentro, saindo por dez orifícios destinados aos dedos do tocador que assim produzem as notas musicais. Tem uma forma oval, semelhante ao corpo de um pato (oca, em italiano – e daí o nome) e as suas dimensões variam, desde os mais diminutos (sopraninos) aos maiores e mais bojudos, responsáveis pelos sons mais graves. A sua invenção é atribuída ao italiano José Donati, que terá provavelmente sido inspirado nalgum rudimentar instrumento que o povo já fabricava com os barros que extraía da terra, do tipo dos cucos ou dos rouxinóis, nas regiões ricas em argila.

     O séc. XIX assistiu à constituição de grupos de ocarinas tocando pela partitura as melodias em voga (marchas, valsas, polcas, etc.), os quais contribuíram para a divulgação desses trechos de origem centro-europeia nos meios populares, de forma semelhante às tunas e bandas filarmónicas. A nível popular, Ernesto Veiga de Oliveira localizou um intérprete de ocarina na região de Barcelos e José Alberto Sardinha vários tocadores na região estremenha do barro: Caldas da Rainha, Cadaval, Torres Vedras e Mafra, bem como em Ponte de Lima.

     Mais: Instrumentos Musicais Populares Portugueses, de Ernesto Veiga de Oliveira; Tradições Musicais da Estremadura, Tradisom 2000, de José Alberto Sardinha, p. 459 a 463.

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