Marcha

Digitalização 17

Marcha – A marcha foi, originariamente, um género musical destinado a acompanhar a movimentação de grupos humanos, sobretudo militares, executada por instrumentos de sopro e percussão. No séc. XIX, as bandas militares foram os seus principais intérpretes, passando depois também as civis, ou filarmónicas, a tocar marchas, por influência dos seus maestros que quase sempre acumulavam o cargo de direcção musical naquelas e nestas. De todas elas, que frequentavam, como continuam frequentando, os arraiais e festas, passou o povo, quer urbano, quer rural, a ouvir as marchas, lá de cima dos coretos, interpretando-as depois os tocadores de instrumentos tradicionais. Também as tunas foram um grande foco de divulgação do género.

     Assim ouvindo marchas destas diferentes origens, o povo passou a bailá-las e depressa os tocadores populares (de flauta, de gaita-de-foles, de harmónio) conservaram na sua privilegiada memória as melodias que assim escutavam, passando depois a repeti-las, para o povo bailar. É esta a função coreográfica que o povo português maioritariamente atribuíu à marcha. A muitas delas, o povo introduziu letras para serem cantadas, as quais passaram a ser conhecidas, como cantigas bailadas, pelo inccipit ou por algum termo que ressaltasse dessa letra, acabando, nesses casos, por perder-se a denominação de marcha. Assim, existem hoje na tradição popular muitos temas musicais que são marchas mas não estão identificados nem são conhecidos como tal. Os gaiteiros, bem como os tocadores de pífaros integrados em grupos de caixas e bombos (Beira Baixa), interpretam muitas marchas solenes, de procissão, de rua e de peditório, quando acompanham as diversas situações das festas religiosas, entre as quais os círios estremenhos. A marcha sucedeu à contradança (vide) na sustentação musical dos grupos coreográficos que em certas épocas festivas percorriam as ruas das aldeias, vilas e cidades como forma de exibição e afirmação bairrista – v. Marchas de Lisboa. Compasso quaternário.

    Discografia: Faixas 11 (Cadriceira, Torres Vedras), 12 (Atalaia, Lourinhã), 15 (Fonte da Vaca, Palmela), 22 (Reguengo Grande, Lourinhã), todas do disco 3 que acompanha o livro Tradições Musicais da Estremadura, Tradisom 2000, de José Alberto Sardinha; Tunas do Marão, de José Alberto Sardinha, CD 1, Faixas 1, 5, 8, 17 e 19 (Carvalhais, Santa Marta de Penaguião), CD 2, Faixas 3 e 4 (Ansiães, Amarante), 11 e 14 (Gondar, Amarante) e 16 (Folhadela, Vila Real), CD 3, Faixa 3 (Gestaçô, Baião), 6 (Vinhós, Régua), 15 e 17 (Bisalhães, Vila Real), 19 (Pomarelhos, Vila Real) e 26 (Ermelo, Vila Real), CD 4, Faixa 1 e 4 (Soutelo, Santa Marta de Penaguião), 16 e 18 (Campeã, Vila Real) e 21 (Gontães, Vila Real).

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