Folclore

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Folclore – Ao contrário do que se possa pensar, a palavra folclore não designa o conjunto dos chamados ranchos folclóricos, nem o conjunto das suas actividades, a que habitualmente se dá o nome de movimento folclórico. Folk-lore (folk – povo; lore – conhecimento) significa conhecimentos do povo, ou sabedoria popular e foi uma palavra lançada pelo britânico William Thoms em 1846 para substituir a expressão popular antiquities (antiguidades populares, ou coisas antigas do povo), então em uso. Também se utiliza a palavra folclore como a ciência, auxiliar da etnografia, que estuda esses saberes populares antigos.

     A etnografia é um ramo da antropologia cultural, ou etnologia, que se destina a fornecer um estudo descritivo de uma determinada cultura ou área cultural. É a primeira fase do estudo etnológico. A etnografia observa e descreve. A etnologia, ou antropologia cultural, estuda, desenvolve e interpreta os factos coligidos na pesquisa etnográfica. Estuda o Homem como ser cultural, como portador de cultura. Neste domínio, cultura significa tudo o que um grupo étnico recebe do passado, dos seus ancestros, desde a língua à forma de vestir, de trabalhar, de se divertir, de namorar, de amar, de casar, de expressar a dor, de lembrar os mortos, de rezar à sua divindade, padrões de comportamento, ideais de vida, enfim em geral os usos e costumes de uma sociedade. É, portanto, a herança social, a tradição.

     O Homem e a Terra onde vive, geram a Cultura e esta, repetida e transmitida às gerações seguintes, representa a Tradição. A Cultura de um povo tem uma componente material e outra espiritual. Esta constitui o folclore, o acervo dos usos e costumes, das expressões orais e artísticas desse povo: crenças e superstições, literatura popular (contos, lendas, poesia popular, teatro popular, romanceiro tradicional), adivinhas, provérbios e anexins, festas e romarias, música de tradição oral e instrumentos musicais populares, artesanato tradicional, medicina popular, gastronomia tradicional, danças e jogos populares, trajos populares, manifestações relativas ao nascimento, ao casamento e à morte, o culto às almas dos falecidos, etc. A esta realidade tem vindo ultimamente a dar-se o nome, mais pomposo, de património cultural imaterial.

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