Fitas, Dança das

Azueira, Mafra, anos 60

Fitas, Dança das – Manifestação coreográfica que consiste em enlaçar e desenlaçar fitas coloridas em torno de um mastro ou pau, que se encontra no centro dos executantes, cada um destes empunhando a sua fita, tudo ao som de música. É conhecida e praticada, sob diversas formas, em muitos países, i. a., França, Alemanha, Grã Bretanha, Espanha, Portugal e em quase toda a América Latina. Há autores que associam as danças em redor de produtos vegetais, árvores ou paus com fitas coloridas, aos primitivos cultos de fertilidade ou da fecundidade. O poste ou pau onde estão fixadas as fitas seria uma representação simbólica da árvore, e a dança à sua volta seria um ritual de petição de boas colheitas, de fertilidade da terra, razões por que em muitos locais se chama a esta dança o Maio, ou o Maio florido.

     Em Portugal ocorre um pouco por todas as províncias, mais correntemente na época do entrudo, ligada às chamadas “contradanças” (vide), grupos músico-coreográficos que percorriam as aldeias ao redor da sua, apresentando um pequeno espectáculo que incluía um entremez de efeito jocoso e a exibição da dança das fitas. O efeito visual das fitas coloridas a enlaçar e desenlaçar ao som da música é deveras atractivo e do agrado do povo assistente a esta exibição coreográfica. Os grupos tomaram o nome de contradanças porque a música que acompanhava a evolução coreográfica era a contradança. Manteve-se a denominação mesmo nos casos em que a base musical passou a ser a marcha (excepção para Lisboa – v. Marchas de Lisboa), o corridinho ou o fado corrido. Os instrumentos musicais que acompanham estas exibições ambulantes são as flautas, gaitas-de-foles e, ultimamente, a concertina e o acordeão. A dança das fitas está referenciada em Trás-os-Montes, Minho, Beira Alta, Beira Litoral, Beira Baixa, Estremadura, Alentejo e Açores.

     Mais: Tradições Musicais da Estremadura, Tradisom 2000, de José Alberto sardinha, p. 183, 184, 185, 188, 189, 191, 192, 196, 378, 379, 381, 382; Danças populares do Corpus Christi de Penafiel, de José Alberto Sardinha, p. 154 a 167.

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