Engantchar

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Engantchar – Tradição quaresmal ainda hoje (2015) praticada em algumas regiões, como Lamego, lugar de Ribelas. No princípio da Quaresma, rapaz e moça “engantcham” os dedos mindinhos, ou seja, prendem os dedos, em redondo (em gancho), um ao outro, fazendo uma aposta: cada vez que se encontrarem durante a Quaresma, o que mais depressa se lembrar, manda rezar o outro, dizendo “Engantchar, engantchar, p’ró Domingo de Páscoa, à hora que te vir, te mandar rezar. Reza!” O outro tem de rezar um Pai-Nosso e uma Avé-Maria. Ao longo da Quaresma, ao sabor dos momentos em que se encontram, vão mandando rezar o outro. Ganha a aposta aquele que, no Domingo de Páscoa, antes do nascer do sol, conseguir ser o primeiro a mandar rezar o outro. Se nesse dia nenhum deles o conseguir, vale a última vez que isso sucedeu, em qualquer dos dias anteriores. Se for a rapariga a perder, deve oferecer ao rapaz um “pito”, bolo regional com a forma de galinha (pito), que se vende na festa do S. Lázaro, Lamego, em Domingo de Lázaro, mas que continua disponível até à Páscoa. Se for ao contrário, o rapaz deve oferecer à moça a rosca, bolo de forma arredondada, também vendido no S. Lázaro. É notória a alusão erótica das denominações e das formas dos dois referidos bolos regionais. Antigamente, também se apostava uma laranja, fruto raro na região.

Na região de Coruche também havia esta tradição, com o mesmo nome e com poucas variantes. Aí dizia-se: “Enganchar, enganchar, p´ra amanhã mandar rezar, p’rá Páscoa dar folar, p’ró S. Miguel casar”. O mesmo, com poucas diferenças, ocorria na Beira Baixa. Igualmente em Mangualde. É provável que esta tradição, como tantas outras, tivesse dimensão nacional. A troca de doces com formas implicitamente sexuais entre rapazes e raparigas é tradição generalizada, como demonstra a oferta de passarinhas e sardões nas festas de N. Senhora da Conceição (8 de Dezembro) e de Santa Luzia (13 de Dezembro), em Guimarães, que representam declarações de amor e propostas de namoro.

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