Encamisada

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Encamisada – Cortejo nocturno (muitas vezes, ou outrora, em cavalhada), à luz de archotes, cujos participantes, ou alguns deles, envergam túnicas brancas, geralmente em honra de um santo ou da Virgem Maria, a quem são dedicadas loas em certos passos do trajecto.

     No tempo de D. João IV, realizou-se uma encamisada por ocasião do baptizado do príncipe D. Afonso, sendo o Terreiro do Paço o centro da exibição. O Padre Rafael Bluteau diz apenas que a encamisada “se faz de noyte a cavalo com tochas, em ocasião de festas”. Matos Sequeira também a elas se refere, chamando-lhes cavalhadas nocturnas. E Euclides da Cunha, um escritor brasileiro que estudou os costumes dos sertões do seu país, descreve como lá se fizeram ou ainda se fazem as encamisadas, que define como “uma diversão dispendiosa e interessante, realizada à luz de lanternas e archotes, com seus longos cortejos de homens a pé, vestidos de branco, ou à maneira de muçulmanos, e outros a cavalo estranhamente ajaezados, desfilando rápidos, em escaramuças e simulados recontros”.

     No lugar de Rebolaria, do concelho da Batalha, realiza-se todos os anos encamisada em louvor de Santo António, na noite de 12 para 13 de Junho, com dois anjinhos montados em dois burros de cor branca, os quais lançam loas narrando a vida e os milagres do taumaturgo. O cortejo parte do largo da igreja, onde são cantadas as primeiras loas. Os anjinhos, montados em seus jumentos, seguem à frente, ladeados por archotes. O povo vem atrás deles e, na cauda, uma pequena filarmónica tocando marchas vivas e alegres. No percurso, os habitantes das casas têm-nas engalanadas com tochas, balões e luminárias (cascas de caracol com petróleo e uma mecha acesa) de belo efeito. Em certos locais, o cortejo pára, suspende-se a música e os anjos cantam as loasvide. O povo vai engrossando o cortejo, que desce à vila, torna para trás, segue a outros lugares da freguesia, como Arneiro, Forneiro e Casal do Alho, e termina novamente no adro da Rebolaria, onde são lançadas as últimos loas, à porta da igreja. Segue-se arraial até de madrugada.

     Mais: Tradições Musicais da Estremadura, de José Alberto Sardinha, p. 256 a 260; Discografia: Faixa 7 (Rebolaria, Batalha) do CD 3 que acompanha este livro.

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