Ciranda

Imed. Mirandela, 1996

Ciranda – Baile de roda muito divulgado por todo o país, nalguns locais usado como jogo de roda infantil. “Ó ciranda, ó cirandinha / Vamos nós a cirandar / Vamos dar a meia volta / Meia volta vamos dar/ Vamos dar a meia volta / Adiante e troca o par”. Alguns querem ver no nome deste baile de roda o instrumento de joeirar a azeitona ou os cereais, também chamado crivo, pois assim o indicam algumas alusões na letra. Todavia, nalgumas regiões, v. g. Idanha-a-Nova, as intérpretes não dizem ciranda, mas sim serenda, o que indica uma personagem feminina frequentadora dos serões, hipótese que é reforçada pela própria letra: “Ó serenda, serendinha / Eu hei-de ir ao teu serão / Para fiar numa roca / O mais fino algodão”. Assim, tal como a palavra cirandeiro (vide) teve origem em serandeiro (vide – de serão), o mesmo terá acontecido com a palavra ciranda, denominação de baile.

     Assim, o termo ciranda terá servido impropriamente para designar o baile (de roda) que habitualmente tinha lugar no final dos serões (mais adequadamente deveria chamar-se-lhe serenda) e a palavra cirandar (andar de um lado para o outro, sem destino) terá resultado desse uso terminológico inadequado – recorde-se a letra “Ó ciranda, ó cirandinha / Vamos nós a cirandar”. Independentemente desta designação bailatória, usa-se em muitas regiões a ciranda, ou crivo, como instrumento musical de acompanhamento rítmico. Para o efeito, colocam-se grãos ou feijões que, em contacto com a malha metálica, produzem som quando agitados ao ritmo da música.

     Discografia: Recolhas de Armando Leça, inéditas, arquivo RDP, bobine AF-527 (Areal, Santo Tirso), AF-534 (Milagres, Leiria).

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